Estilo · 02 de outubro de 2026
Maximalismo nos acessórios: mais presença, sem perder a elegância
Mais camadas, mais textura, mais cor e peças com presença. O maximalismo chegou aos acessórios, mas, nas semijoias, ele pode aparecer de um jeito muito mais refinado.
Essence Semijoias · 8 min de leitura

Durante muito tempo, a delicadeza dominou os acessórios.
Correntes fininhas. Brincos pequenos. Um único anel. Poucas peças usadas ao mesmo tempo.
Tudo muito discreto.
Esse estilo continua existindo e sempre vai ter espaço. Mas a moda começou novamente a caminhar para outra direção.
Os acessórios estão aparecendo mais.
Colares ganharam camadas. Pulseiras começaram a ocupar mais o pulso. Anéis passaram a dividir os dedos. Brincos aumentaram um pouco de tamanho. Pérolas, pedras, elos, texturas e cores começaram a dividir a mesma composição.
É o maximalismo voltando para os acessórios.
Mas aqui existe uma diferença importante.
Quando falamos de maximalismo dentro do universo das semijoias, não estamos necessariamente falando de peças enormes ou exageradas.
Podemos construir presença de uma maneira muito mais delicada.
E é justamente essa versão que eu considero mais interessante.
Afinal, o que é maximalismo?
Se o minimalismo parte da ideia de reduzir, o maximalismo permite acrescentar.
Mais camadas.
Mais formas.
Mais texturas.
Mais cor.
Mais mistura.
Só que existe uma diferença enorme entre ter mais informação e simplesmente colocar tudo ao mesmo tempo.
Para mim, um bom maximalismo continua tendo intenção.
Pode existir um mix de quatro colares, várias pulseiras, anéis em quase todos os dedos e mais de um brinco na orelha.
Ainda assim, conseguimos perceber uma conversa entre essas peças.
É por isso que eu gosto de pensar no maximalismo não como exagero, mas como presença.
Nas semijoias, maximalismo não precisa significar tamanho
Esse talvez seja o ponto mais importante desta matéria.
Quando ouvimos “maxi”, é natural imaginar um brinco enorme ou um colar muito volumoso.
E eles também podem fazer parte dessa estética.
Mas não são a única maneira.
Nas semijoias, conseguimos construir uma leitura maximalista usando peças mais refinadas e aumentando a informação por meio da composição.
Três colares delicados juntos já têm muito mais presença do que um sozinho.
Várias pulseiras finas criam volume quando estão próximas.
Anéis distribuídos por vários dedos transformam completamente as mãos.
Uma composição de brincos pequenos pode ocupar visualmente toda a orelha.
Ou seja:
a presença pode vir da peça ou da combinação.
E essa segunda possibilidade abre um universo enorme.
Maximalismo delicado: parece contraditório, mas não é
A presença pode vir da peça ou da combinação.
Eu gosto muito dessa expressão porque ela traduz bem o que estamos vendo nas semijoias.
Você pode usar bastante acessório e continuar com uma composição elegante.
O segredo está na proporção.
Imagine quatro colares.
Nenhum deles precisa ser enorme.
Podemos ter uma corrente curta, outra de elos, um ponto de cor e um pingente um pouco mais longo.
Separadamente, são peças relativamente delicadas.
Juntas, criam presença.
É maximalismo.
Só que de uma maneira muito mais fácil de trazer para a vida real.
Colares: mais é mais

Se existe um lugar onde essa tendência aparece com força, é no pescoço.
As sobreposições voltaram a ganhar bastante espaço nas passarelas e no styling atual. Em 2026, vimos justamente colares sendo usados em quantidade, com diferentes comprimentos, materiais e proporções.
E você não precisa começar com cinco.
Dois já mudam a leitura.
Três criam uma composição.
Quatro ou mais começam a construir uma presença muito maior.
O interessante é variar.
Corrente delicada com elos.
Pingente com uma peça mais curta.
Pérola no meio de metais.
Zircônia colorida aparecendo entre peças neutras.
Dourado com prata.
É a mistura que deixa o maximalismo mais interessante.
Brincos: presença não é sinônimo de peso
Brincos maiores também aparecem nessa tendência, mas aqui eu faria uma distinção importante.
Dentro da proposta das semijoias, podemos aumentar a presença sem necessariamente chegar a proporções extremamente grandes.
Uma argola um pouco mais encorpada.
Um brinco com formato orgânico.
Uma gota.
Uma peça com pedras.
Um brinco mais alongado.
São maneiras de trazer mais informação para perto do rosto mantendo uma leitura elegante.
E existe ainda outra possibilidade que gosto muito:
o maximalismo construído na própria orelha.
Primeiro, segundo e terceiro furo.
Argolinhas.
Pontos de luz.
Zircônias.
Ear cuff.
Nenhuma dessas peças precisa ser enorme.
Mas, juntas, ocupam a orelha e criam presença.
É um ótimo exemplo de maximalismo delicado.
Pulseiras: volume construído em camadas

Aqui acontece a mesma coisa.
Não precisamos de um bracelete enorme para entrar nessa tendência.
Podemos construir volume com várias pulseiras.
Corrente.
Elos.
Zircônias.
Bracelete.
Relógio.
Pérolas.
Quando essas peças começam a se encontrar no pulso, surge uma composição muito mais rica.
E gosto especialmente quando elas não parecem ter sido compradas como conjunto.
Espessuras diferentes.
Texturas diferentes.
Talvez até banhos diferentes.
É isso que faz o mix parecer pessoal.
Anéis: ocupar mais a mão
Talvez essa seja uma das maneiras mais fáceis de experimentar o maximalismo.
Em vez de um único anel, comece a distribuir peças pelos dedos.
Um maior no indicador.
Dois delicados empilhados no anelar.
Uma pequena pedra colorida no mindinho.
Outro anel na mão oposta.
De repente, a mão inteira faz parte da composição.
E novamente nenhuma peça precisou ser extremamente grande.
Foi a quantidade, a distribuição e a diferença entre elas que criaram presença.
Essa ideia de empilhar anéis, colares e pulseiras aparece de forma clara nas tendências de joalheria vistas nas coleções de primavera de 2026.
Pérolas também podem ser maximalistas
Aqui existe uma combinação que eu particularmente gosto.
Porque normalmente pensamos em pérola como delicadeza, tradição e um certo classicismo.
Agora coloque várias pérolas juntas.
Misture tamanhos.
Acrescente correntes.
Coloque metal no meio.
Use pérola com zircônia.
A leitura muda completamente.
Ela continua elegante, mas perde aquela aparência previsível.
Esse contraste entre elementos clássicos e uma forma mais abundante de usar é uma das maneiras mais bonitas de trazer o maximalismo para as semijoias.
Cor também cria presença
E nem sempre precisamos aumentar tamanho ou quantidade.
Uma zircônia colorida pode chamar muito mais atenção do que uma peça metálica maior.
Várias cores juntas aumentam ainda mais essa sensação.
Por isso, o maximalismo também pode acontecer através da cor.
Um mix de anéis coloridos.
Pequenas zircônias diferentes na orelha.
Pingentes coloridos em camadas.
Cor + pérola + metal.
É outra maneira de construir informação sem depender de peças gigantes.
Dourado e prata juntos entram nessa história
Entram, e muito.
Se o maximalismo permite mais mistura, faz sentido que os metais também deixem de precisar seguir uma única direção.
Dourado com prata.
Ródio com ouro.
Relógio prata com pulseiras douradas.
Anéis misturados.
Correntes de banhos diferentes.
A diferença entre os metais cria mais uma camada visual.
E é justamente essa soma de pequenas diferenças que constrói uma composição rica.
Preciso usar tudo ao mesmo tempo?
Não.
Maximalismo não significa sair de casa obrigatoriamente com colares, brincos, pulseiras e anéis em quantidade.
Você pode escolher uma região para concentrar a informação.
Esse é, inclusive, um dos jeitos que mais gosto de trazer a tendência para a vida real.
Faça um mix de colares mais elaborado e deixe o restante mais tranquilo.
Ou mantenha o pescoço praticamente limpo e monte uma orelha cheia de pequenos brincos.
Coloque vários anéis e pulseiras e use apenas um ponto de luz.
Existe maximalismo na composição mesmo quando ele não ocupa o corpo inteiro.
E se eu quiser fazer um mix completo?
Pode também.
Aqui eu começaria pensando em ritmo.
Se existem muitos colares, vários anéis, pulseiras e brincos, alguma coisa precisa conectar esses elementos.
Pode ser o banho.
Pode ser uma cor que reaparece.
Pode ser a pérola.
Pode ser uma determinada textura.
Ou simplesmente a repetição de formas.
Não significa deixar tudo igual.
Significa criar pequenos pontos de conexão para que o olhar consiga percorrer a composição.
E, principalmente, olhe para você inteira.
Porque um mix pode parecer perfeito quando observamos apenas o pescoço e completamente diferente quando entram brincos, roupa, cabelo, mãos e pulseiras.
Maximalismo também pode ser elegante
Talvez esse seja o maior preconceito que ainda exista em relação à tendência.
A ideia de que elegância está necessariamente ligada a usar pouco.
Não está.
Elegância também pode existir na abundância.
O que muda é a escolha das peças, a proporção, o acabamento e a maneira como elas foram combinadas.
Uma composição com várias semijoias delicadas pode ter muita presença sem perder refinamento.
Um brinco maior pode ser elegante.
Um braço cheio de pulseiras pode ser elegante.
Vários colares podem ser elegantes.
Mais não precisa significar exagerado.
Pode simplesmente significar mais personalidade aparecendo.
Como começar sem sentir que está usando acessórios demais
Se você sempre foi mais minimalista, não precisa mudar completamente de uma hora para outra.
Pegue aquilo que já usa e acrescente uma coisa.
Usa um colar?
Coloque dois.
Usa uma pulseira?
Experimente três delicadas juntas.
Um anel?
Acrescente outro em um dedo diferente.
Um brinco pequeno?
Coloque uma argolinha no segundo furo.
Depois olhe.
No outro dia, experimente mais uma camada.
O nosso olhar também precisa se acostumar.
Muitas vezes não achamos que determinado acessório ficou “demais”.
Nós simplesmente ainda não estamos acostumadas a nos enxergar daquele jeito.
No final, maximalismo é menos sobre tamanho e mais sobre intenção
Essa talvez seja a melhor maneira de resumir a tendência dentro do universo das semijoias.
Não precisamos transformar cada acessório em uma peça gigantesca para criar presença.
Podemos fazer isso através de camadas, repetições, texturas, cores, pedras, diferentes banhos e proporções.
E é justamente aí que o maximalismo fica mais interessante para mim.
Porque ele não obriga uma mulher que gosta de acessórios delicados a abandonar o próprio estilo.
Ele apenas convida a experimentar um pouco mais.
Mais uma corrente.
Mais um anel.
Uma cor inesperada.
Uma pérola junto do metal.
Dourado com prata.
Um brinco que aparece um pouco mais.
Não é sobre colocar tudo.
É sobre perder um pouco o medo de colocar mais.